André Silva: um caso sério de rendimento subjectivo

Imbicto leitor,

Antes de mais, toma uns minutinhos preciosos do teu tempo para ver e contextualizar o seguinte vídeo no texto de hoje:

Há uma discussão um pouco parva que muitos adeptos encontram em tom de teoria da conspiração sobre os jogadores. Refiro-me àqueles casos em que um indivíduo parece querer render mais ao serviço do clube do que da Selecção e vice-versa.

Ora, nos últimos três jogos ao serviço da Selecção, as cabeças menos sãs hão-de começar a ensaiar uma espécie de teoria menos católica sobre o rapaz. Haverá aqueles que se lembrarão imediatamente da difícil renovação de contrato que envolveu o clube e o jogador e uma certa seca que atravessou ao representar o FC Porto B, durante o ano que termina.

A verdade é que, tal como hoje ficou demonstrado, este jovem insiste em criar expectativas quase que ridiculamente altas sobre o seu futuro no FC Porto e sobre a pertinência em apostar na ´prata da casa´ que parece dar sinais claros de altíssima fiabilidade. Dois golos, uma exibição tremenda para quem a quis ver com “olhos de ver” e uma curiosa semelhança táctica com o trabalho que tem vindo a ser realizado por Jackson, durante o último ano, principalmente.

andré silva 2

Esta madrugada, no seguimento dos últimos três jogos nacionais trouxe, portanto, para mim, a necessidade de uma nova discussão acerca dos problemas que envolvam a integração entre escalões, bem como a intermitência táctica e rotativa dos plantéis, nomeadamente da equipa B, como apoio à A e como ponto de transição entre escalões.

O jogo contra a Colômbia trouxe mais certezas ainda de que André Silva está a evoluir e a tentar aproveitar com “unhas e dentes” a montra da Nova Zelândia para dizer claramente que quer uma oportunidade no futuro da principal equipa do FC Porto.

Dois pormenores foram suficiente para entender a versatilidade do jogador: a técnica com que aborda um lance de cabeça, aparentemente perdido para a linha, para golpear com uma classe superlativa, a bola, em direcção ao interior lateral da rede; bem como a intensidade ´non stop´ que deu ao jogo, na pressão imensa ao sector defensivo colombiano e nas descidas constantes ao meio-campo – e não raras vezes à defesa – para ajudar os companheiros e vir buscar jogo. Ontem, com as devidas diferenças fisionómicas e de jogo, vi um substituto tremendo a Jackson, a confirmar-se a tal intensamente almejada saída pelo próprio.

Daqui reabre-se a pertinência de discutir duas dimensões: a da equipa B e a de uma táctica que venha a integrar jogadores que despontam ferozmente nos escalões mais jovens do FC Porto na equipa principal. E lembre-se que este aparentemente esquecido André Silva é o mesmo que, há um ano atrás, marca 19 golos em 29 jogos pelos sub-19, tendo o seu rendimento sido drasticamente reduzido por razões que depreenderemos seguidamente.

ontem, ao terminar o meu artigo, dei um sinal de que Luís Castro poderá não ser a pessoa mais adequada para o lugar – salvando toda a consideração e dedicação que merece e tem dado ao clube. Uma excessiva rotatividade a todo o ano (aqui, não necessariamente por culpa sua), aliada a opções tácticas um pouco discutíveis em momentos-chave do jogo (dedique-se a isso quem maior conhecimento tiver do que eu…), foi integrando André Silva no conhecido e tradicional 4-3-3 portista da equipa B aos repelões.

Depois de há um ano ter tido uma ou outra oportunidade na B, vindo dos sub-19, André Silva afirmou-se em definitivo, nomeadamente após a renovação, primeiro como opção saída do banco e depois com uma certa dúvida na sua utilização entre a ala e o centro, que em nada ajudou o jogador e que estagnou um processo que tem de ser integrado com o do crescimento de outros jogadores, uma vez que o homem não joga sozinho no campo. Gonçalo, Ivo, Kelvin e Frédéric condicionaram sempre aquilo que pode ser a morte evolutiva no momento-chave e é aqui que gostaria de ver debatida a estratégia para o crescimento e integração de jogadores, sabendo que, ainda por cima, Ruíz já vai dando sinais de subir de escalão e que, hipoteticamente, podemos não vir a contar ainda com Gonçalo, em definitivo, na equipa principal.

A chegada de Bueno e a tentação em contratar um avançado que dê garantias de substituir Jackson no imediato, numa equipa de topo mundial, poderá trazer ainda mais factores discriminatórios, mas difíceis de contornar, no crescimento dos jogadores de formação, num medo do experimentalismo que poderá ser exagerado, mas que ninguém o quer correr em risco. A hipótese de alterar o sistema para o dos dois avançados poderá, portanto, ser uma hipótese a explorar, até pela natureza dos jogadores que, agora, estão e podem vir a ascender à equipa principal, já esquecendo Jackson: Àbombakar/ possível reforço-Bueno/ Ádrian (finalmente mais bem aproveitado na posição?); Gonçalo-André Silva.

andré silva

As pinças serão, portanto, o instrumento do qual não se pode prescindir em todo este processo delicado. Mas de nada servirá se quem as usa não souber o que fazer com elas…

Imbicto abraço!


Foto de capa: EPA

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3 thoughts on “André Silva: um caso sério de rendimento subjectivo

  1. meu caríssimo “Velho”,

    num reforço de tudo o que tão bem explanaste, pergunto: estará o reino do Dragão, sobretudo a sua massa assoBiativa, pronto para apoiar o tão necessário investimento na “prata da casa”, dando-lhe o tempo indispensável para evoluir de forma gradualmente sustentável?

    abr@ço forte
    Miguel Lima | Tomo III

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    1. Imbicto Miguel,

      Francamente, não sei. Não sei e duvido… Esse cepticismo militante, aliado a uma certa tentação negocial do desconhecido provocada pela pressão dos “amigos do investimento” não augura nada de bom, mesmo em tempos de crise. Ainda assim, acredito que há sinais que parecem estar a trazer o FC Porto a uma atitude mais consentânea com o seu modus operandi tradicional.
      Como referi, é um risco que deve ser tomado, mas que ninguém quer assumir- seja pela implicação do fracasso, seja por implicação do assobio adepto… E esse fracasso, meu caro, se for em aposta em prata da casa, é da estrutura; se for em aposta em prata de fora, é do jogador.

      Imbicto abraço!

      Liked by 1 person

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