Os três tipos de procrastinados

Imbicto leitor,

Hoje vou arriscar um ´cadito, ok? Se me permitires, com essa tua bondade que só eu sei que a tens por ainda teres paciência para ler as asneiras que escrevo, vou falar de assuntos nefastos para qualquer crónico sofredor de problemas gástricos. Recordarei, com a esperança e a frustração de um adepto bipolar (como todos o somos), gente passada e presente, numa ponte que se quer de lembrança para não mais repetir as gracinhas que levaram e levarão à desgraça dos maiores do que o mundo – seja ele qual for -, dos maiores do que o sonho e dos maiores que o talento.

Ora… E que tal lembrar Atsu, Defour e… Quintero? Três procrastinados de diferente espécie.

Todos sabem o quão fã sou do chico cafetero (se fosse brasileiro, chamaria cafetão, mas isso traria toda uma celeuma discursiva de preconceitos e ilegalidades). Aprecio a sua técnica, o seu estilo, a sua inteligência na finta curta e no último passe. E aprecio tudo isso numa lógica inversamente proporcional à raiva e desilusão que sinto pelo desperdício de talento, pela falta de vontade (aparente) em campo, pelo ar constantemente cansado e desmotivado de alguém que corre com estilo mas que parece ter problemas nos ossos dos membros posteriores apenas frequentes em pessoas acima dos 80.

E porquê procrastinados? Porque não parecem ter grande pressa em demonstrar no agora aquilo que, adiando, não conseguirão, ao mesmo nível, demonstrar amanhã. Esta notícia é paradigmática (in, O Jogo):

quintero o jogo

Filho, (b)ou explicar-te uma coisa: dependia de ti… Não sei o que fazes nos treinos, não sei se és problemático, não sei se és preguiçoso, ou não sei se achas que não te dão valor. Mas de cada vez que o Lopetegui te manda lá para dentro, não fazes nadinha. Não entendo mesmo…

Como dizes e bem, o clube trata-te – a ti e aos outros – muito bem, dando condições que muito dificilmente encontrarás noutro qualquer clube (mesmo em alguns de topo). Acredito que o teu problema não seja de ego, mas de desmotivação, mas tens de perceber que aqui se aprecia tanto o esforço quanto o talento. Não é por acaso que um Castro deixa saudades e um Defour deixa lamento. Não que o Defour fosse mau jogador, mas não parecia estar muito empenhado em estar à altura do clube – independentemente de ter destruído a possibilidade de forma estúpida, de passar contra um Málaga -, embora também o apreciasse. E como Defour, Atsu.

Sei que no teu caso não mete mulheres a dizerem disparates, nem gajos a acharem que são os maiores, mas não adies um talento que se quer mais trabalhado e empenhado, nem que seja para parecer aos nossos olhos. Se não souberes onde quero chegar, vai falar com o Quaresma…!

Não sei se vais ficar ou não, mas gostaria de dar-te uma terceira oportunidade, mesmo só porque há aí qualquer coisa de especial que nem tu deves ter percebido qual é e que justifica, para além do investimento do Porto, a tua permanência.

A gente acredita em ti! Mas para isso, tens de demonstrar que acreditas em ti próprio. Não em demasia, como os outros, ou sairás da mesma forma, por razões diferentes. E basta olhares para eles para perceberes o que te espera…

Todos temos a certeza de que não queres acabar assim… Quando o olhar para trás parece ser o sonho que víamos à frente, procrastinando…

Imbicto abraço!

Adenda: Para que não restem dúvidas, defendo uma oportunidade mais, mas apenas durante a pré-época. Todo o tempo que Quintero teve, até hoje, para provar o que pode fazer ao serviço do clube, foi mais do que suficiente para perceber se encaixa ou não no esquema do treinador, ou se pode mudar a sua forma de jogar, em prol da equipa.

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4 thoughts on “Os três tipos de procrastinados

    1. Tens toda a razão e eu próprio já admiti isso noutros artigos. Pelo menos a pré-época deveria servir de aperto para ele. Ou se adapta definitivamente, ou que seja emprestado, na falta de um bom encaixe em definitivo.
      Tenho pena, sabes… Mas com a chegada “contrariada” do Carlos Eduardo e com a eventual permanência de Óliver, tudo se torna mais certo no futuro de Quintero: a saída.

      Imbicto abraço

      Gostar

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