FC Porto 2 – 0 Penafiel

Imbicto leitor,

Hoje recai sobre mim o dever de tentar dizer algo de útil. Francamente, não sei como… Foi tudo tão estranho.

Nunca como ontem haveria a hipótese de assistir a um FC Porto que jogasse mal e porcamente. Nunca como ontem seria tão certo que a equipa não teria chama. Nunca como ontem seria tão provável encontrar um qualquer resultado nos ecrãs gigantes do Dragão, prontos a provocar os famosos acidentes da VCI por razões diferentes. Nunca como ontem me senti tão desiludido; não frustrado.

Para ser sincero, nem sei bem o que vi… Se foi um daqueles pesadelos dos quais estás prestes a acordar, num estado de semi-vigília; ou se foi um argumento de um filme que até parecia decente, até acabar uma coisa completamente despropositada, tipo Guerra dos Mundos, em que se gastam milhões para dar em merda.

Mas a época não foi tão má como imaginamos… Ou como que o coração – não a cabeça, que o imaginemos. Aquela espécie de anúncio da Yorn protagonizado pelas claques não me merece grande comentário, de tão despropositado e incoerente que foi. E assim, se perde a razão e o apoio… Foi demais ver um protesto com razão de ser, mas não ser coerente e estar calado até ao fim. E já agora, em vez d´”O Porto é nosso”, que tal um “Contigo até ao fim?”. Nem que fosse pela partida de Danilo, ou de Jackson; nem que fosse pela “chegada” de Àbombakar.

Quanto ao jogo que – finalmente posso dizer isto – foi o que menos importou…

Mais do mesmo das últimas penosas semanas. Arrastanço… Cansaço. Fadiga moral. Uma equipa que se fosse mote para qualquer filme de Hollywood bem poderia encaixar no argumento do Moneyball. E neste filme, não é a mulher gorda que canta no final. É um homem gordo.

Há, no entanto, qualquer coisa de grotesco no meio disto tudo. São homens, mas são homens que na sua maioria não podem ter a desculpa moral do costume, a não ser que amem profundamente o clube (ou será antes o ego?). Aquela gente que carrega o peso do nosso brasão pareceu, à medida que a temporada caminhava para o final e que todos os objectivos se esfumavam, carregar ainda mais o peso do dinheiro a que são principiscamente pagos para serem profissionais até ao fim. Não apenas nas montras, ou nos melhores momentos. Trata-se de esforço e de obrigação. Pois se não a têm emocionalmente (alguns), que a tenham o sentido que melhor compreendem!

Não! Não vos admito que me critiquem desta vez! Tenho o direito de cobrar algum respeito, vale? Eu fui daqueles que sempre estiveram aqui, até que alguém resolvesse dar a muitos (aos protestantes), portistas, uma razão que continuo a achar que não merecem. E é assim que se destrói tudo – até a fé que pessoas como eu depositam nesta gente…

Porra! Desviei-me outra vez do assunto… Perdoem-me, mas estou um pouco perdido…

Vá, agora a sério… Quanto ao jogo…


Pela positiva:

Destaque para os dois que partem e para aquele que “chega”.

Danilo foi a imagem de si mesmo nos últimos minutos de jogo. Uma bofetada a todos os que não acreditaram nele, ou que começaram a desacrediar (como eu…). Merecias ter tido uma despedida a sério. Pelo menos, com gente que, de repente, não tem discernimento para nada. Vais fazer muita falta. Muita mesmo! Eras dos poucos líderes deste FC Porto e aprendeste a amar um clube que não te tratou emocionalmente sempre como devia. E nunca me esquecerei, há dois anos, um momento pesado com que o Dragão começou a vaiar-te ostensivamente, depois de tanto passe falhado. Parecia ali o teu fim; foi o teu princípio. Obrigado!

Jackson também merecia mais. deverá ser o seu último jogo e, por muito que tenha criticado a sua atitude de insatisfação militante, curiosamente, foi dos poucos que respeitou o azul-e-branco até ao último momento. Cumpriu as suas funções como ninguém, numa braçadeira que só ele, Danilo, ou Hélton merecem. Obrigado, Cha Cha Cha! E se dúvidas houvesse, ontem, a tua vontade junta-se à inevitabilidade da realidade.

Hélton em grande. Mostra de novo ser o homem certo no lugar certo. Já se reintegrou de tal maneira que até teve tempo de quase fazer merda, como nos bons/ maus velhos tempos. Muita confiança. Voz de comando no posicionamento da defesa. Sweeper, como diz o Jorge do Porta 19, até mais não. Não renovem, que não quero. Nem eu eu, nem ele…

Rúben Neves é aquilo: um misto de elegância com inexperiência. Posso estar enganado, mas há ali um dos grandes talentos que o meio-campo do FC Porto poucas vezes viu. E mais, parece ter uma certa garra de líder – coisa que falta, por estes dias…

Àbombakar e daqueles casos estranhos. Muito estranhos. Todo ele é a estranheza personificada. Entra, ajuda a converter um ataque a dois com Jackson móvel a prender as atenções, marca, dá a marcar, agradece, pede desculpa, sorri como um putinho de sonhos, dá de letra, não desiste… Difícil de caracterizar. Gosto dele de uma maneira estranha. Aquela desculpa foi nobre. Todo ele parece nobre e frágil, como aquele gigante do filme que tinha tanto de forte por fora quanto de frágil por dentro.  Temos aqui qualquer coisa de especial. A ver vamos…

Pela negativa:

Quintero. Tanto, tanto, tanto que te defendi. Tanto que gosto desse teu talento. Tanto que me fizeste salivar com aquele mundial sub-21 de há dois anos. Tanta parra e pouca uva. Tanta desilusão. Tanta esperança que começo a largar e que, desta, parece ter sido a tua última deixa para retribuíres o que te demos em motivação. Lembro-me de duas coisas paradigmáticas: o teu primeiro jogo oficial, onde parecias ser um deus-menino descido a terras não merecedoras do teu toque, levado pelos gritinhos e pelas palmas de adeptos que não imaginariam que te estariam a apupar, ontem. Já nem sei o que dizer. Mas não sei por que raio, ainda acredito em ti… Devo ser louco. Ou parvo…

Brahimi… Desilusão. O home está noutro filme. Esqueçam! Mais vale esperar pelo próximo ano…


E assim foi o último jogo. Mau, mauzinho. Estranho, estranhinho. Gente que mereceu pagou pelos que imereceram. E quem fez pagar o imerecimento, tornou-se imerecedor.

Nada mais há a dizer. Há, sim, muito a pensar. E a rever…

Imbicto abraço!


Foto de Capa: Zero Zero

Fotos do artigo: Fotos da Curva

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4 thoughts on “FC Porto 2 – 0 Penafiel

    1. Imbicto Rui,

      Obrigado pela partilha! De facto, parece-me ser um jogador muito curioso a todos os níveis. Fará sentido, agora, pensar nas suposições feitas pela imprensa do costume, aquando da sua chegada, sobre as motivações que estavam a fazer prolongar o acordo entre as partes…

      Imbicto abraço!

      Gostar

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