Serviço público de ´calidade

Imbicto leitor,

Há minutos, lá fui eu fazer a ronda diária pela comunicação social confiável. Por uma questão de princípios e por, honestamente, não estar para me chatear muito com alguma verborreia pouco escorreita que se apressa em empolar episódios, ou actos menores aos mais fáceis de agradar, simplesmente vou a um ou dois desportivos e a um ou dois generalistas. Começa, por isso mesmo, a ser habitual fazer dos órgãos de comunicação externos a minha referência e da Euronews, o interno (sim, pode dizer-se isso, basta perceber o modelo estratégico do canal).

E tudo isto porque ontem, uma vez mais, levei com uma facadola – em vez de um olho pisco – de um pivô do canal público, que lançou as videotapes com estas duas introduções das quais vou destacar o que interessa – já que aquela gente faz o mesmo – numa espécie de síndrome “Whiskas saquetas“:

FC Porto: blá blá blá (o treinador do FC Porto tem lançado insinuações sobre a arbitragem) blá blá blá“.

Benfica:blá blá blá (Jorge Jesus está a dois dias de se sagrar bi-campeão nacional) blá blá (conhecer as origens do treinador)

Ora… eu que até gostava de ti, Zé, e dessa forma sedenta de justiça ostensivamente inquisitiva, fiquei como o Jim Carrey com cara de Cavaco depois de lhe cair mal o bolo-rei, da primeira vez que viu a Cameron Diaz. Pá, é que nem te dignaste a alterar o ´ponto´ de maneira a não ferir susceptibilidades como a minha (ou a agradar outras). Nem te dignaste a dar a voltinha astuta e com toque pessoal mais justo que te é apanágio…

E eu que até sou daqueles que não se escandaliza com justiceiros em vez de pseudo-imparciais refugiados no estatuto da imprensa nacional, que bem podia perder a vergonha para se assumir, nos privados, tal como deve fazê-lo, a exemplo do que se passa lá fora, para, pelo menos, já saber o que dali vai sair… Mas tu estás num canal público, Zé! É a malta que paga essa merda, pá! É a malta que procura serviço público de qualidade, seja lá o que isso for, mas que não será, certamente, a arte de ser tendencioso, ou de dar dez minutinhos ao FC Porto, num  qualquer programa desportivo dos vossos multiplicáveis e inócuos espaços e canais – número este que faria corar outros canais não públicos…

Não pode ser assim, Zé. É que se queres gajos como eu a ver, ou pior, a pagar para não ver isso, tens de mudar qualquer coisa nesses hábitos que ostracizam voluntariamente, em nome de uma tentativa de agradar ao mercado, numa lógica competitiva que não deveria ser a vossa. Ou se a assumem como tal, então estão a subverter regras básicas desse mesmo mercado, tornando-se privilegiado.

Por favor, Zé, não me faças mais isto! Não me faças desgostar de ti, porque és dos poucos que demonstra tê-los acima da média – ou simplesmente tê-los. E ainda que não seja, possivelmente, culpa tua o que te aparece escrito à frente dos olhos, a forma como nos habituaste a ver-te obriga-me a exigir-te que faças o que costumas fazer – sem que para isso faças uma “pausa à Bento Rodrigues”, para realçar subjectivamente o que se quer.

Abraço Imbicto


P.S.1: Não entendo o gosto que dá a esta malta mostrar o orgulho que é divinizar o estereótipo do português típico que nos tornou ostensivamente troçados por esse mundo fora, numa espécie de ´self made man´ fabricado.

P.S.2: O texto lido no ´ponto´ por Rodrigues dos Santos é o que segue abaixo dos vídeos do site da RTP.


Imagem de capa: Raymond Kleboe/ Getty Images

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