Julen Lopetegui: um caso isolado

Imbicto leitor,

Hoje, começamos de maneira diferente:

“Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ver os sonhos partirem
À espera que algo aconteça
A despejar a minha raiva
A viver as emoções
A desejar o que não tive
Agarrado ás tentações
E quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará
Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu
Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu


Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ouvir os conselhos dos outros
E sempre a cair nos buracos
A desejar o que não tive
Agarrado ao que não tenho
Não, não sou o único
Não sou o único a olhar o céu

E quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará”…


Na eventualidade da memória te pregar uma partida para lá da futebolística, digo-te que esta é a letra da música: “Não sou o único”, dos Xutos e Pontapés, incluída no Circo de Feras, em 92 (esse número incontornável da nossa história), onde actua o indefectível Kalu Ferreira, orgulhoso e garboso portista.

Sejas um recém-adulto ex-aderente da cultura Grunge – e das ganzas parvas devidas aos momentos, também eles únicos -, sejas simplesmente um gajo normal, deves lembrar-te desta música. Pois bem… Eu lembrei-me dela, logo agora; logo depois do jogo; logo depois de cada pós-match lopeteguiano, seguindo numa espécie de cruzada ´quixotiana´, onde o realismo é coisa que só a ele assiste, até ao fim, do lado mais frágil da corda.

Jurei para comigo que nunca, mas nunca mais mexeria neste assunto. Mas não consigo…

É demais… Não aguento mais ver aquela criatura a “arrastar-se” em frente ao um microfone estendido por um qualquer jagunço sedento de sensacionalismo, enviando o material para um estúdio qualquer onde se revertem, não raras vezes, ónus e iniciativas.

Para mim, esta foi a gota que fez transbordar o copo.

Com que então, o Xavier acha coiso…?!? Bem… Não percebi muito bem o que para aqui vai… Ele está mesmo a dizer esta coisada toda conscientemente, como amigo do ´home´, ou como leitor exclusivo das capas deste lado da fronteira? E a verdade é que esta merda é contagiosa: basta assistir e insistir em rever a passividade de Rodolfo Reis o ouvir o que ouve, semana após semana, no “Play Off”, da SIC N.

Mas há um problema que me atormenta. É que eu acho que o Xavier tem razão, mas por razão diferente, ?comprende? Lopetegui ficará mesmo sozinho, porque já me dá a ideia – a mim e a todos – de que está abandonado. Lopetegui corre o risco de passar a imagem de tolinho que anda para ali a dizer coisas sem sentido, num choramingo pegado, em situações que só ele vê! Não o FC Porto; APENAS ELE.

Vamos lá ver, resumidamente:

Reverter a culpa

O jornalixo “red-light-tuga” tem uma particularidade, na sua maioria: não é honesto. E não é honesto porque não pesquisa e porque não se preocupa com a verdade. Preocupa-se apenas com a “notícia”. E se não há, faz-se – especialmente quando a notícia que não se #coloca é outra. E não é vitimização alguma dizer-se alto e a bom som que há claramente um orquestramento opinativo e (des)informativo que começa a transportar Julen Lopetegui para o local que está mais a jeito, fragilizado por uma inexplicável inércia estrutural do clube.

Referi, noutra ocasião, as expectativas e os receios que via na Dragões Diário. Pois bem, parece que aquilo para que chamei à atenção se confirma: estamos perante um panfleto encapotado, por interposta pessoa, das reacções oficiais do FC Porto. E, tal como Julen, também eu não sou o único a achar isso: aqui, aqui e aqui, nesse mundo solidário e realista da Bluegosfera.

Continuamos a assistir, desesperadamente, a um apodrecimento do portismo – permitam-me dizer isto, porra! – que vem directamente de cima, por inacção, daqueles que ajudaram a cultivar esse mesmo sentimento em nós.

SD

E mais do que propositado realçar as mensagens dos SD na imagem acima, cortesia do Fotos da Curva,-porque claramente lêem o Imbicto, que lhes serviu, em rima, para a inspiração – é fazê-las aplicar a alguém. A um responsável, ou conjunto de responsáveis que se abriga, incompreensivelmente, nisto:

O dia de ontem ficou marcado pela quantidade de virgens ofendidas com as declarações de Julen Lopetegui, com lamentáveis traços comuns. Toda a gente sabe que é basco, mas a nacionalidade de Julen Lopetegui é acessória e é triste verificar o toquezinho xenófobo de tanto analista da treta.

Pior ainda, porque será que na análise às palavras do treinador do FC Porto não se cuidou de saber se Lopetegui falou verdade ou falou mentira? É ou não verdade que há “um manto protector”? É ou não verdade que o número de erros de arbitragem ultrapassaram o que é razoável e humanamente compreensível, quase sempre com o mesmo beneficiário? Como por encanto, os arautos da verdade desportiva desertaram e mostraram a verdadeira face, porque, como disse Lopetegui para quem quis entender, eles também são o manto protector.“, in Dragões Diário


Devo terminar, refugiando-me na canção que me fez motivar este desabafo: Não, Julen, tu não és o único a olhar o céu. Estamos contigo e com aquilo que nos tens dado. Não fosse este o campeonato mais vergonhoso que vi desde que nasci; não fosse o jogo com o Vitória (“interessante, nas palavras de Simões) e menos um fora-de-jogo mal assinalado, aqui e ali, e estaríamos agora a levar aquele que precisa de aconselhamento moral do Xavier, em ombros.

Vou fazer de conta que estou num pesadelo… Não quero acreditar que isto é a súmula de algo que outrora foi o FUTEBOL CLUBE DO PORTO.

Imbicto abraço!

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6 thoughts on “Julen Lopetegui: um caso isolado

  1. Para começar, partilho inteiramente do seu ponto de vista.
    Quanto à atitude, ou falta dela, do nosso GRANDE CLUBE no que respeita à resposta e ao combate que tem que dar no que concerne à comunicação social e aos factos anómalos(arbitrais e outros) verificados, é absolutamente deprimente e, pior, tem acentuado a divisão do apoio entre portistas, quer em relação à equipa, quer em relação ao seu treinador.
    Sem querer estabelecer uma relação de causa e efeito não posso, no entanto, deixar de referir que este estado de inércia e quase tibieza se verificou aquando da escolha e posterior actividade do responsável pela comunicação.
    Será, com certeza, este senhor que dita a política comunicacional do CLUBE.
    Mas, perante o facto do imenso desagrado na massa de simpatizantes e adeptos, que essa política tem provocado, pergunto-me como é possível que este senhor não seja questionado.
    Parece-me haver, em demasia, aquilo que se costuma apelidar de “politicamente correcto” e que noutros tempos seria o “sermos bons rapazes”. E, já agora, parece-me haver demasiada política e políticos, envolvidos em toda esta história recente do FC PORTO, e essa ambiguidade e promiscuidade não é de todo salutar.
    Não queria acabar sem mencionar alguém que, possivelmente, encarnaria muito melhor esse espírito de combate que nos está a faltar: Bernardino Barros. Um dos poucos com desassombro e frontalidade nesta actualidade.
    Um grande abraço portista e deferente
    Carlos Rangel

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    1. Caro Rangel,

      Antes de mais, o meu obrigado pelo comentário!

      Infelizmente, quer-me parecer que Bernardino Barros é mais uma das armas utilizadas pelo FC Porto para responder pela tal “interposta pessoa” à conjuntura que nos tem relegado para um lugar ignorável, pelas instituições futebolísticas nacionais. Ainda que no caso de Bernardino haja uma outra dimensão de independência opinativa, é um pouco a imagem do Porto Canal – também ele, retirando um ou outro programa, um órgão de difícil caracterização para ser um instrumento do FC Porto.

      Não sendo dos que defendem uma posição belicista constante, é factual que, no futebol português, a atitude tem de ser severa.
      Já quanto à comunicação, no cômputo geral, melhorou bastante em relação aos adeptos. Externamente, tem sido uma desgraça e não sei até que ponto poderemos culpar o director por isso. Como se imaginará, é coisa que parte de mesas redondas, ou de cima…

      Já os políticos… Nada tenho contra eles nem contra o exercício de cargos de forma liberta de obrigação de mandato público. Poderemos discutir, de facto, uma certa promiscuidade existente um pouco por todo o lado – ainda mais em clubes pequenos -, não tendo dados suficientes para tecer outro qualquer comentário. Mas sim, entendo onde quer chegar…

      Imbicto abraço, meu caro!

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