Cair no esquecimento

Imbicto leitor,

Uma leitura rápida por qualquer espaço Bluegosférico, denota uma certa tendência para um fenómeno difícil de encontrar por entre portistas, até à época passada: a memória de curto prazo.

Para o efeito, recorrerei às anotações explicativas do Wikipédia, porque não tenho de me saturar mais do que os jornalixeiros deste país medíocre, com o intuito de pesquisar por informação, tendo eu a benesse de não ter de obedecer a códigos deontológicos para o efeito presente:

O termo em questão também é conhecido como memória de trabalho, memória operante ou memória provisional. A maioria dos teóricos na actualidade usam o conceito para dar ênfase à noção de manipulação da informação ao invés de manutenção passiva.

A memória de curto prazo entende-se como um componente cognitivo ligado à memória, que permite o armazenamento temporário de informação com capacidade limitada.

Ora, há dois tipos de de sujeito activo que fazem uso lesivo e abusivo do conceito; um interno e outro externo: os portistas da festa e muitos dos jornalistas nacionais (salvo raras e honrosas excepções).

O primeiro, interno, funciona como uma espécie de infiltrado. É a síntese do que de pior um clube pode ter, porque só lhe compete lembrar-se do FC Porto quando ganha; só vai ao estádio quando ganha; só defende a instituição quando ganha; só goza com o patrão e com o colega, quando ganha. Resumindo: só sabe ganhar. O problema, é que não sabe o que está por detrás da conquista – o que levou à mesma. Este espécime, é uma forma de vida semelhante àqueles seres de nova geração que têm tudo feito: carros com ESP/ABS/DCT/GTJBJNJJBKBM, mudanças auto com opção de cambio manual, só para fazer de conta; editores automáticos (filtros) de imagem num programa, ou site qualquer, para fingirem que são fotógrafos, cujas máquinas têm ajuste automático de ISO, etc. Enfim, são um parasita social que cá veio parar, como poderia ter ido parar a qualquer clube. Desconhece as bases, o que leva ao resultado final. Só conhece isso mesmo.

Já o segundo é mais curioso… Segue a mesma lógica do primeiro, mas tem a agravante de dever seguir princípios deontológicos que evitariam que se comportasse como um biscateiro cor-de-rosa. Aproveita-se do estatuto privado da instituição em que está para ser “porco”; provoca, fala na primeira pessoa; tece subjectividades num misto de comentador e zé do café. Não recorre a fontes, a não ser às da natureza da de cima, de que fiz uso para caracterizá-los. Enfim, uma desgraça…

E serve-se da liberdade individual para isto: para encher a boca e falar em “charlinismo” (só se for na versão gaulesa do Wally…), para ser dono da democracia e da expressão. Invente, reverte, inverte; efectiva.

No entanto, há algo que une os dois, tão diferentes: o esquecimento.

O portista da festa esquece-se. Esquece-se do que custou chegar aqui. Mas lembra-se, numa espécie de episódio isolado, das glórias: do tal resultado final.

Já o jornalista tendencioso (não são todos e vénia a quem não lhes sirva o gorro) é medíocre. Difama a classe e o passado dos pares, outrora cultos, informados, indagadores, interventivos e imparcialmente trabalhadores. Só divulga as vitórias do centralismo que lhe possibilitou subir na vida, ou ter emprego, num país definhado, ostracizador do Norte. Faz vénias aos campeonatos rubros; destaca modalidades recém-surgidas no vocábulo rubro, onde meia-dúzia de almas penadas assiste aos jogos.

Este é o problema de ambos: cair, ou fazer cair no esquecimento. Manipular e ser manipulado. Consumir e ser consumido – de conclusões cuja base de sustentação é inexistente, ou implausível. São pão e bolos. É circo romano; é a decadência do seguidismo sem identidade.

Não sei onde ambos irão parar, mas acabarão mal: botados ao esquecimento que os próprio semeiam, num mundo que, em breve, entenderá que compreender a circunstância é muito mais do que a circunstância em si…

E no final, merecem-se, encontrados no isolamento sofrido de um quarto-de-banho qualquer: botados ao esquecimento.

Imbicto abraço


Imagem de capa: Google Images

Código Deontológico do Jornalista: Agência Lusa

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4 thoughts on “Cair no esquecimento

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