Quanto custa o Portismo? | Modelo Presidencialista – Parte II

Imbicto leitor,

Talvez com demora… Aqui vai a segunda parte do “Quanto custa o Portismo?“, onde, espero, encontre em vós concordância, ou discordância construtiva – a não ser que queiras descarregar impropérios acerca do jogo que passa mais ou menos a esta hora, nos arredores da capital.

Relembro que a caixa dos (in)dispostos é já ali, onde deve estar: em baixo… Portanto, não te faças rogado, ou tímido, porque não é nosso  Imbicto apanágio sê-lo.

O modelo presidencialista (continuação)

Progredindo por estas linhas, no mesmo Porto em que ficara aquando do meu abandono, na Parte I, retomo a discussão relativa ao modelo presidencialista do clube…

Não somos isolados dos tempos… Como todos sabem, a ordem social (retire-se o tom pejorativo da coisa dogmática) obriga-nos, Homem integrado na sociedade, ou nas suas subdivisões organizadas em colectividades formais, ou informais, a estratificar e a hierarquizar. Não se trata de um preciosismo Darwinista, ou de um protesto contra, ou a favor da sociedade de classes. Faz parte, até porque nas concepções mais igualitárias houve, ou há um líder, mesmo que não se dê conta disso – nem que seja pela vertente ideológica, que emana os princípios orientadores.

Vista a impossibilidade de ignorar a realidade e a transformação desportiva e sócio-económica, sabemos que, após a constituição da “Futebol SAD”, em 1997, o paradigma de gestão mudou. A necessidade do investimento externo de natureza diferenciada, que acompanhasse a linha do tempo, retirou algum poder de decisão, aparentemente/ teoricamente, ao presidente portista, Pinto da Costa. Ainda assim, a habilidade estratégica permitiu-lhe garantir uma posição privilegiada no organismo, de maneira a efectivar e prolongar o seu poder de decisão e a estabilidade do clube.

Pinto da costa

Pinto da Costa – Global Imagens

Mas temos de discutir o futuro. E o futuro passará, necessariamente, pela saída de Pinto da Costa. Ainda que ninguém pense nisso, ou diga querer pensar nisso, de bigode acariciado, a verdade é que o homem não dura para sempre e – sejamos honestos – não terá, infelizmente, as faculdades necessárias para estar à frente do projecto. Assim sendo, defendo a continuidade de Pinto da Costa, mas apenas e enquanto houver condições para tal e não enquanto ele assim o queira.

Qual é a lógica do meu raciocínio, então? Simples: o poder sedimenta, com o tempo. A sedimentação gera vícios e círculos de outros poderes, numa lógica absolutista de cariz francês medieval, que nenhum modelo, ou ideologia ousou rectificar. Não há que negar evidências! Elas existem. E enquanto houver peso e medida nas mãos e na mente de Pinto da Costa (pelo menos naquilo que é apreciável ao público em geral), estará tudo confortável – quiçá, acomodado -, seguindo bem, mas numa espécie de piloto-automático alheio à envolvência, cujos sinais gritam por entre “silêncios ensurdecedores”, ou “passividade activa” – e tal como as expressões, estamos numa espécie de contradição passiva, após um campeonato como nunca vi, desde que botei os olhinhos no mundo nortenho.

Agora, imaginemos dois cenários: o modelo actual, mas com outro presidente; ou um modelo baseado apenas em investidores, com um “meco” à frente – à semelhança do Zenit, ou de outros clubes efémeros. O que queremos? O modelo actual, ou um salto para a frente, rumo a uma maior competitividade (sempre limitada devido ao circunstancialismo competitivo nacional); ou a manutenção do pilar-base, num presidente identificado com os valores daquilo que é mais do que o próprio (no futuro, já que hoje, os valores do clube se confundem com o homem do leme).

Antero Henrique

Antero Henrique – Foto de Luís Vieira, Record

Vamos agora a outro cenário, por acaso, o actual: estaremos já em fase de transição, onde o presidente, paulatinamente, entrega a pasta a outro, inserindo-o nos círculos de poder (recuemos ao início do último mandato, que semeou o pânico, com a reestruturação do futebol, onde até se falou em ´PSGês´); ou estaremos numa fase em que há uma real e efectiva transferência de influência para o clube rubro. Será um consequência do outro? Será o silêncio constante da estrutura um indicador taxativo disso mesmo? Estará o FC Porto a perder influência, ou estará o seu presidente a perdê-la? E se a perde, será pela indissociação entre clube e homem? Como reagiremos à saída de Pinto da Costa?

Como se vê, por entre perguntas que já todos fizemos e outras, que deveríamos fazer, há uma dúvida: passando o FC Porto por um período directivo e comunicacional difícil de caracterizar e sem alternativas credíveis num futuro próximo, para sê-lo (credível), para onde queremos, ou devemos ir?

Sem me alongar demais, insisto na vossa participação, pois não serei eu (ou tu) a encontrar soluções sozinho – apesar de defender a manutenção da base presidencialista no sujeito de referência intangível, coadjuvada por um conjunto de investidores. Será, sequer, possível, manter este modelo no futebol do futuro, “coeteris paribus“?

Continua num terceiro artigo…

Imbicto abraço!

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2 thoughts on “Quanto custa o Portismo? | Modelo Presidencialista – Parte II

  1. Biba, ho(i)je vou comentar antes de responder no meu berloque ao teu comentário.

    De acordo, tudo muito bonito e tal, mas quem é que tira de lá o Nosso Grande Presidente se ele não quer sair? Tu? Eu? Lista concorrente? E se, para o ano, tivermos uma equipa forte e limparmos tudo? Ein?

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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    1. Nem mais, Jorge!
      Não há alternativas. O que proponho no artigo, é que se tente entender o que queremos que o FCP seja, no futuro. Mais, que fase é esta e que alternativas temos (se houver). E como dizes, não há.

      O meu receio prende-se com o facto de estarmos num período de indefinição, sem colocar em causa a estratégia para o futebol que, para mim, está bem delineada, mas que deixa dúvidas quanto ao modus operandi comunicacional.

      O artigo espelha essa mesma confusão. Creio que estamos numa fase essencial de discussão para o que será o pós-Pinto da Costa, sem desejar que saia, enquanto tiver condições para tal.

      Abraço

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