Quanto custa o portismo? parte I

Imbicto leitor,

Saberás tu, meu caro, que este espaço não tem como imagem de marca o insulto gratuito, ou a “carvalhada” isolada de sentido. Mas há alturas em que a tentação (Deus nos perdoe, seja ele de que parte for…) se antecipa ao pensamento e nos obriga a mandar um “´pó car(b)alho” bem sonoro.

Não raras vezes, deves ter reparado num conjunto premonitório – e promontório – de declarações, de factos, de insinuações, de insultos e de publicações merecedoras do Pulitzer dos Pulitzers. Curiosamente, algumas delas, surgidas do nosso próprio lugar monocromático (creditos ao João Pinto): o azul-e-branco.

Quero, portanto, fazer-me recorrer deste pequeno artigo para reflexionar vagamente sobre o estado das coisas, num mundo da bola cada vez mais inclinado no sentido contrário ao lugar natural da seta numa qualquer bússola do hemisfério Norte.

Serviu-me a inspiração de uma pseudo-notícia, cujo sentido me parece altamente duvidoso. Provas que escasseiam e que, possivelmente, aproveitam a maravilhosa tendência que o FC Porto tem em esconder(-se) dessa rara e predadora espécie que é o ´homo-rapina´. E desculpado seja ele quem for, pelo simples facto de ser ´homo´ (nem que seja pela metade – pelo menos, assim dizia o Rousseau, ámen(!)). E como o conteúdo “é-me igual”, gostaria de debruçar-me sobre os autores.

Agora que estás mais curioso e não fazes a mínima daquilo de que estou a falar, pá, paciência… Vai pesquisar, porque não darei ao autor esse gosto, até que me prove o que, supostamente, se passou.

Infliltrados, ou simplesmente frustrados?

Não, não estou a falar do Jackson, embora por vezes se comporte como tal, tal é a ansiedade que demonstra em correr daqui para fora. Estou, sim, a falar de uma classe de pessoas que se finge portista por questões desconhecidas, ao alistar-se como sócio, sendo adepto de outro clube; de gente que só é sócia, ou adepta, quando se ganha; ou de outra, que se representa pelo suposto portismo, mas que aproveita a mínima compressão para fazer uso do indicador para atacar tudo e todos – seja por mau-hábito, por ser um tipo do contra, ou, simplesmente, porque sim.

E que espécie de clube é este, onde anda esta malta, e que não possui liderança?

Pois bem, creio que o nosso clube começa a conhecer uma realidade provinda de paragens tendencialmente rubras: a carneirice – que também a há ao contrário, se é que me entendem… E é urgente encontrar simbologia que ultrapasse a mera significância histórica, como tão bem explica o Jorge Vassalo.

Back to basics

Retirando aqueles que gostam de estar a mais e ao lado – que sempre haverá -, é necessário cativar o modelo que se tem perdido e que não encontra líder: seja no topo estrutural; seja nas equipas desportivas do FC Porto, das mais variadas modalidades. É aqui que se inicia o processo de união de uma colectividade.

O FC Porto sofreu uma transformação radical, nas últimas décadas. A sua predisposição regional (não há que negar), tornou-se, paulatinamente, numa afirmação nacional e europeia. Os títulos apareceram com uma certa naturalidade, sempre com mérito e sem acaso da sorte, como outros, em resultados de sorteios há cinquenta anos atrás, onde os mais fortes ficariam pelo caminho, estendendo passadeiras da cor que tantos gostam.

Esta transformação provocou dois tipos essenciais de resultado prático nas camadas de apoio: um certo acomodamento e uma certa aproximação de pessoas que pouco interessam ao clube. A dimensão aumenta com o sucesso e, com ela, aumenta o poder e a influência, bem como a vontade de alguns em estar com o mais forte.

Há, assim, uma expressão britânica muito característica e simbólica daquilo que deverá ser necessário fazer: “back to basics”.

Imaginemos isso como uma espécie de restauro do sistema operativo. Um retorno que nos faça regressar ao ponto em que tudo funcionava com os princípios orientadores de base simplista e identitária.

Não se procura o retorno ao arcaísmo, mas antes um retorno aos princípios que nos fizeram sair desse mesmo arcaísmo. E isso só será possível com dois tipos de pessoa: o líder e a sua massa de apoio (calma, minha gente partidariamente activa e dogmática(!), não é nesse sentido)

E onde estará, então, essa base? Essa base deverá estar em três pontos fundamentais: na estrutura, na equipa e na massa adepta. E qual é o problema, afinal? O problema é que uns não vivem sem os outros: um adepto não segue a equipa, se não se sentir coesa; a equipa nunca estará coesa sem um líder que indique o caminho a seguir; o líder nunca o será, se acima dele não existirem princípios orientadores.

O modelo presidencialista

Sou um admirador confesso de Pinto da Costa. Não houve um único presidente com a sua competência desportiva que merecesse o realce internacional que cá não é atribuído. Ainda assim, adivinha-se mudança. Urge mudar! De presidente com poderes executivos? Não sei. Sinceramente, não sei. Até porque, por vezes, fica a sensação de que já não é Pinto da Costa o decisor – mesmo incluindo o natural circunstancialismo da SAD e da sua idade.

Não pretendo, com este conjunto de afirmações, desmerecer o nosso líder, mas antes a efectividade do modelo de liderança, que se veio a transformar, por adaptação à realidade, ou simplesmente por falta de debate e de propostas alternativas, àquela dimensão.

Não pretendo, sequer, afirmar que Pinto da Costa deve sair, até porque, neste momento, não tem candidato, ou modelo de gestão alternativos – pelo menos, que sejam levados a sério.

pinto da costa - mundo deportivo

Pinto da Costa em destaque, no Mundo Deportivo – 1 de Abril de 2015 (clicar na imagem para ler)

Continua…

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3 thoughts on “Quanto custa o portismo? parte I

  1. Brilhante pensamento, que inadvertidamente também parafraseia o do meu último post. Fico feliz que muita da bluegosfera veja as coisas da mesma maneira. É sinal que os problemas estão identificados e as soluções são claras.

    Obrigado pela referência.

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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    1. Eu é que agradeço o artigo no Porto Universal!
      De facto, existe uma aparente unanimidade de pensamento quanto aos problemas e às soluções. Mesmo aqueles que, na Bluegosfera, não se revêem no modelo actual, encontram igual abrigo em grande parte daquilo qe todos pensamos ser a solução (ou parte dela).

      Amanhã há mais!

      Imbicto Abraço!

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