Há onze anos atrás, a reboque do Porta 19

Imbicto leitor,

Porra, pá! Onze anos… O tempo passa num suspiro. Pior! O tempo passa sem que tenhamos tempo para dá-lo.

Foi já ali. Tão longe no tempo que nos parece tão perto de memórias que não queremos esquecer. A reboque deste artigo ´impecábel´, como sempre, do Jorge, do Porta 19, conto a minha experiência de há onze anos atrás. Sem delongas…

Era final de tarde. Uma tarde a fazer-se noite numa ventania característica das nortadas poveiras. Era um tempo diferente; muito diferente… E tanto da minha vida e das minhas escolhas que não teria feito, se soubesse o que hoje sei.

A hora estava marcada comigo mesmo. Obriguei a minha namorada a ir ter ao sítio do costume, quando davam jogos europeus do FC Porto: à montra de uma loja de electrodomésticos da com um conjunto imponente de televisões da então última geração. Caramba, o raio do sítio parecia que dava sorte. Foi a rua onde fiz algumas das coisas mais marcantes da minha vida. Foi ali que vi o meu primeiro filme no cinema, em 1994: O Parque Jurássico; foi ali que comi os melhores pastéis da minha vida e era ali que encomendava sempre os bolos de aniversário da família; foi ali que vi um famoso pela primeira vez (o Miguel Dias, que, afinal era mais magro e mais baixo do que na televisão); foi ali que dei o primeiro beijo e foi ali que vi o Porto ganhar a Champions de 2004, eliminatória após eliminatória, até à final.

Sofri muito naquele dia… A final era já ali, mas o poderio do Depor era imenso. O Depor era uma espécie de patinho feio espanhol. Em Espanha era visto de soslaio pelos detentores dos mesmos complexos que por cá temos, numa altura em que La Liga era bem mais competitiva do que é hoje. Havia uma rivalidade muito interessante entre o Celta e o Depor, onde jogadores tão raçudos quanto os nossos não estavam de modas para fazer uso daquele cabedal todo. Era uma equipa com um tipo de jogo intenso e que me deixou pessimista aquando do sorteio das meias.

Mas éramos melhores… Apesar do ambiente tremendo do Riazor, superiorizámos aquela espécie de Boavista (pachequiano) galego, mas com mais nome, técnica e qualidade. Depois de uma primeira mão onde prevaleceu o empate, da qual me lembro do caudal ofensivo do Porto e da cena mais surreal que alguma vez verei (o lance de Jorge Andrade com Deco, na imagem abaixo), sentia-me perdulário. Ir com zero golos para o Riazor era sentença de coisa sofredora e de final de sonho. Mas os nossos pupilos foram bons. Bons demais.

jorge andrade deco

Ganhámos merecidamente, mas enfrentávamos o nosso pior inimigo na final: nós mesmos, depois de uma cavalgada rumo a Gelsen… com grau de dificuldade teoricamente decrescente. E hoje, como se sabe, foi final à Porto: de quem não falha, obstinadamente.

Obrigado, Jorge, pela memória! Era só preciso um gatilho…

Abraço Imbicto!

Fonte da imagem: http://thumbs.web.sapo.io/%3FW%3D800%26H%3D533%26Q%3D65%26pic%3Dhttp%253A%252F%252Fc2.quickcachr.fotos.sapo.pt%252Fi%252Fue6140bd0%252F15128251_FPiqm.jpeg%26hash%3De1f418bb6cad1ab0d0e6df54e4bea8f6%26errorpic%3Dhttp%253A%252F%252Fassets.web.sapo.io%252Fdesporto%252Fimgs%252Fno-photo.jpg

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s