Rescaldo | V. Setúbal 0 – 2 FC Porto


Imbicto leitor,

Pois é, minha gente… A bola parou de rolar há praticamente duas horas. Ainda ´tá quente, p´tanto.

E ainda bem que ´tá quente. A coisa quer-se recém-lembrada – não vá a memória que insiste assolar alguns portistas esvair-se por aí.

Não é apenas da memória, o esvaimento; foi também do jogo. Sentadinho no mesmo sítio, parece até que o rumo das coisas mudou com o momento em que tive de tornar o meu cadeirão desacompanhado por vinte minutos.

Uma primeira parte onde os 75% de posse são o bastante para fazer entender o que por lá se passou, no Bonfim. E serve também o número de golos marcados: um. Unzinho… Brahimi fez lembrar aquele miúdo mais humilde das primeiras jornadas e remata após uma aparente simulação de Jackson.

Não houve ocasiões claras que justificassem mais do que um 0-2, mas houve um caudal de jogo capaz de fazer lembrar o famigerado Bayern-Porto visto ao contrário… e sem bolas lá dentro. Os sadinos não encontravam caminhos, acerto táctico, ou forças que beliscassem o poderio do Imbicto conjunto. Chegou a ser cansativo ver a perfeição com que algumas das jogadas fluíam no relvado forasteiro, pela nossa parte.

Até que… Até que um indivíduo – ou conjunto de indivíduos – quis ser protagonista: nada mais, nada menos, do que o/os do costume:

´28 – Alex Sandro disputa a bola com o adversário, na lateral esquerda portista, quando surge uma falta saída ninguém sabe bem de onde. Livre para a equipa setubalense pertíssimo do vértice da área portista. Valeu-nos a tosquice;

´30 – Casemiro ganha uma bola no campo adversário, próximo da área verde-e-branca. O árbitro apita, encontrando falta num lance de potencial perigo para o FC Porto;

´41 – Fazendo lembrar o minuto 28, Alex Sando, no mesmo exacto local, disputa a bola com o adversário, que se deixa cair (não tão efusivamente quanto os vizinhos rubros que moram meia-hora para norte) sobre a lateral. É imediata a reacção do auxiliar, oscilando a bandeirinha como se estivesse a atiçar um canídeo. Fico ainda com a ideia de que houve um possível penalty provocado por Alex, mas o ângulo não é conclusivo em relação à posição do braço…

E assim se arranjam minutos de descompressão.

Não foram erros graves, mas errozinhos, característicos de um futebolzinho, pequenino, medíocrezinho, fraquinho, e tudo o que se possa imaginar de mau acabado em ´inho´. Retomava-se a dualidade de critérios tão característica dos nossos campos (dependendo dos intervenientes…).

marcano lesao


Chega a segunda parte e prefiro dizer nada. Transfigura-se o Dragão. Chega uma nova interpretação de jogo e um Setúbal mais astuto, jogando no erro, que poderia ter causado dissabores graves na boca ressequida de quem ia clamando por garra.

Quaresma sai, entra Evandro. Acaba, curiosamente, o equilíbrio do lado direito que ia garantindo o desatino adversário pelas alas. Os sadinos começavam a transformar-se numa equipa a equilibrar o jogo, dando protagonismo a Hélton e a Casemiro.

No final lá veio o prémio da formiga: golo de Jackson! Isola-se, assim, como melhor marcador do campeonato, à frente de Jonas. “Jonas, sim… Não é o Ola Jonas, o Jonas…”, como diria o catedrático…

Só para que conste: 20 faltas cometidas pelo FCP contra cerca de metade do adversário, só pode querer dizer duas coisas. Agora, pensem quais…

ricardo


Vamos então aos destaques…

Pela Positiva:

Casemiro: sólido e paciente. Uma sombra do que víramos no início do campeonato. Casemiro faz-me lembrar Mangala na evolução, passando de uma espécie de rebarbadora humana para um poço de força controlada;

Ricardo e Quaresma: muito activos na primeira parte, acusavam um ou outro erro advindo da falta de entrosamento. Após a saída do segundo, notou-se maior insegurança, num corredor que foi um autêntico ´abono de família´, no primeiro tempo.

Hélton e Maicon: nota muita diferença, meus amigos… Ui, se se nota… Hélton causou-me a impressão de dar uma segurança extra a Casemiro (demasiada, em alguns momentos), num entendimento quase perfeito com Maicon, também ele muito seguro.

Pela Negativa:

a cultura da faltinha: não dá para jogar neste país. Ou a força de um portista é potente demais que a cada encosto derruba o oponente com a sua massa de ar, ou então, é o que se calcula que seja… E assim se quebram ritmos, posicionamentos e mentes fortes.

a lesão de Marcano: não merecia, este moço. Não merecia mesmo! Gajo tranquilo, seguro, refinado. Ganhou lances interessantes no primeiro tempo e, para mim, é o claro patrão da defesa. Uma lesão no braço, aparentemente grave, dá-lhe a prenda de final de campeonato que não merecia. Marcano é uma espécie de Otamedi, a meio da loucura e do recorte técnico deste último. Volta depressa, pá! Precisamos de ti!

Herrera: pá, a sério? Eu sei que jogar com algumas equipas deste campeonato é quase como estar a jogar nos distritais, mas… Pá, passa a bola! Anda! Corre! Levanta a cabeça, dass! Mete a terceira! Já nem digo a quinta… Muito lenttttooooo de processos. Parece estar a rodar ao ritmo de uma K7 num Walkman sem pilhas, em relação ao resto da equipa.


Bem… terminando que já vou tarde, deixo mais uma pérola Imbicta. Dos do costume, p´tanto:

fc porto 2-1

FC Porto sub-15 vs. Benfica: momento em que é assinalado fora-de-jogo, após marcação do 2-1.

Golo anulado, 1-1 no marcador; 1-2 para o Benfica, no final. Clap Clap! De pequenino se torce o menino… (clicar na imagem para ver o resumo)

Imbicto abraço!


Imagem de capa: Zero Zero

Imagem do Porto sub-15: Porto Canal

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3 thoughts on “Rescaldo | V. Setúbal 0 – 2 FC Porto

  1. Análises aos jogos! Boa! Dá trabalho…

    Concordo com tudo, menos na parte do Quaresma e dos miúdos.

    O Quaresma foi um “eucalipto” e, tivesse Hernâni entrado melhor, nem se falava nele desta forma. Seca tudo à volta, marca livres e cantos de uma forma inconsequente, remata muitas vezes quando tem que passar. Fosse outro jogador, estaria no “pela negativa”…

    Já os putos, não jogaram nadinha. Levaram dois golos? Pudera, jogaram a passo! Assim não é possível. E a falta de último passe faz lembrar alguma coisa, penso eu de que.

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    1. Jorge,

      De facto, o jogo dos sub-15 não foi a melhor coisa do mundo para se ver. Chamo apenas a atenção para o erro grosseiro da equipa de arbitragem, num momento em que o jogo ficaria 2-1. Mal ou bem jogado, haveria mais hipóteses de ganhar. E isso é sempre bom…

      Quanto ao Quaresma, na minha perspectiva, compensou bem no primeiro tempo. Ricardo esteve, não raras vezes, adiantado no apoio ao ataque continuado. Quaresma esteve quase sempre a fazer relativamente bem a compensação. Lembremo-nos do que seriam estes dois jogadores juntos no início do ano. Aqui, portanto, mérito para Lopetegui, até porque fez os extremos flectirem para o centro, baralhando completamente o adversário e criando superioridade numérica no miolo.

      Quanto aos defeitos do Quaresma, sou obrigado a concordar, Jorge. Mas, na minha perspectiva, repito, durante o primeiro tempo, não esteve assim tão mal. A rever a posição de RQ7 no próximo ano, a pretexto das mudanças de sempre.
      A rever ainda a desgraça das bolas paradas. Nunca, nunca mesmo, vi tanto desperdício para tanta oportunidade…

      Abraço!

      P.S.: Acredite que odeio falar de arbitragem, mas parece-me que tudo o que referi velia a pena dizer…

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