Traição fiel

Hoje durmo de mão ao peito…

Traí, insolente,

Meu clube que de pequeno me fez doente.


Hoje durmo sem jeito…

Por outros torci.

Fingi que meu emblema não vi,

Ali,

Na parede sobre o meu leito.


Hoje durmo satisfeito…

Recuperei o preceito.

As cores, noventa graus inverti;

A mim mesmo menti!

Ao branco, o azul devolvi;

Prometo que daqui, este ano, não mais te esqueço!

Mas nunca esqueci…


Hoje durmo em respeito.

Hoje durmo em tormento…

Hoje durmo ao relento;

Hoje não durmo,

Hoje arrebento!

Carago! Hoje, sou sebento.

E acordo…


É hoje! Não ontem!

Retomo a rima,

Remordo.

Hoje sou Porto!

Matem-me, se por te amar estou morto!

Foi apenas traição.

Foi apenas razão;

Estado de abstracção

Por um país que não nos reconhece como nação.

E hoje dormirei.

Órfão;

Naquilo em que unidos outros querem solidão…


Perdoa!

Foi traição fiel!

É a ti, Porto, que trago sob a pele.

Foi devaneio… Ilusão real de fel.


Este poema é uma homenagem baseada num belo texto publicado pelo Porta 19, dedicado a todos aqueles que vivem o futebol, acima de qualquer rivalidade tolerável, sem nunca renegar a sua origem e a sua doença futebolística e cultural, numa identidade inabalável. É ainda um desejo sincero de apaziguamento da efervescência que toma o ambiente que antecede e segue os clássicos. 


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