A procissão do mais melhor bom

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

De procissão sai do adro

Empoleirado,

Finge o dedo cruzado.

Difícil, faz já do fácil desfalcado.

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

Do saber,

Sabe o que achamos inesperado.

Do ver,

Vê justo o que vemos achado.

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

As gentes vêem agrado,

Os justos encontram manchado.

Os cães latem ao moribundo

Sempre no alto apoiado.

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

Comenta, Zé, que m´animas!

Dá-me inverdades que gosto!

Engana-me a vista, pantominas!

Peca descarado esse rosto…

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

Com paixão em segundo te sigo;

À capela não voltas mudado.

Por mais razões que t´encontres,

Veremos por quanto te vejo ancorado.

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

Já vai longa a estória;

Já vai perto a distância.

Se um dia par´cima m´olhares,

Par´baixo ficará a memória.

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

Quatro ombros em sangue.

Escorre o rio a montante.

Ao contrário escreves as linhas

De um destino há muito traçado.

Pouco pujante;

Sempre

Mais,

Melhor,

Bom,

Afinal és mau, errante.

Fugirá o cavaleiro andante

Que de andores vai ofegante.

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

 

Assim finda a viagem.

Tanta gente te segue…!

O andor chega de lado.

Não percebeste tu, pajem

Que em ombros levavas imberbe

O caixão de defunto pesado.

 

Sobre quatro ombros vai,

Agarrado em ombros volta.

Segue o carrocel encarnado…

Pelas ruas tortas, direitas torna o jurado.

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